Água tratada desperdiçada! Culpa de quem? Da concessionária!

A perda no sistema de distribuição de água no Brasil, principalmente devido a vazamentos, é de 39,2%.

O Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) divulgou os números referentes à 2019. O que chama a atenção, além do número em si ser muito alto, é que o problema está aumentando. Em 2018 o índice era 38,5%. Um enorme desperdício! Incumbida pelo novo marco legal do saneamento para editar normas de referência para o setor, a Agência Nacional de Águas (ANA) tem como uma das missões elaborar regras para redução progressiva e controle da perda de água. Segundo a proposta de agenda regulatória do órgão, as diretrizes para esse assunto devem ser publicadas apenas em 2022.

É bom lembrar que as companhias responsáveis pelo abastecimento pregam o consumo consciente e, ainda que seja uma medida essencial, é apenas paliativa. A pandemia está aí, aumentando o consumo de água para higienização. Existem problemas porque faltam ações de médio e longo prazos. É preciso mais empenho na gestão da água. E quem paga esse prejuízo? Eu, você, todos nós!

Segundo o SNIS de 2019, 83,7% da população é atendida com rede de água. Houve pouco avanço em relação a 2018, em que o índice era de 83,6%. O nível de investimento em sistemas de água também variou pouco, de R$ 5,75 bilhões para R$ 5,76 bilhões no ano passado. Os dados sobre abastecimento de água pelo Brasil consideram as respostas de 5.191 municípios que participaram da pesquisa, 93,2% do total.

Em relação aos prestadores dos serviços, o quadro também é muito similar ao de 2018, com apenas 8,7% de empresas privadas. O governo espera que essa proporção mude a partir da aprovação do novo marco legal, sancionado em julho, que abre espaço para a iniciativa privada atuar com mais força no setor, ao obrigar que os municípios abram licitações quando forem delegar os serviços de saneamento.

Fonte: Folha de São Paulo